Em meio a um processo que mobilizou diferentes frentes do setor de recursos hídricos, o Senado Federal concluiu a aprovação das três novas indicações para a Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Após sabatina na Comissão de Meio Ambiente (CMA) em 12 de agosto, o Plenário da Casa confirmou, no dia 19 de agosto, os nomes de Cristiane Collet Battiston, Larissa Oliveira Rêgo e Leonardo Góes Silva. Com a decisão, Battiston recebeu 56 votos favoráveis e uma abstenção; Rêgo foi aprovada por unanimidade, com 54votos favoráveis; já Góes teve 48 votos a favor, dois contrários e uma abstenção. Eles assumem as vagas deixadas por Filipe de Mello Sampaio Cunha, Vitor Eduardo de Almeida Saback e Maurício Abijaodi Lopes de Vasconcellos. A etapa final ocorreu em 28 de agosto, em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), quando o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou os decretos de nomeação, ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e de outras autoridades. As nomeações foram publicadas no Diário Oficial da União no dia seguinte, 29 de agosto, oficializando a posse dos novos diretores.
A LISTA TRÍPLICE E O PAPEL DA ASÁGUAS
Apesar do empenho da ASÁGUAS, a lista tríplice construída pelos(as) servidores(as) e e apoiada por diversas entidades não foi considerada nesta rodada de indicações. Embora não prevista em lei, a lista foi idealizada para qualificar o debate, com base em critérios de mérito e aderência à missão institucional, ampliando o escrutínio público sobre o processo de escolha. A elaboração contou com consulta interna em dois turnos, eventos, assembleias e ampla divulgação de prazos e resultados, reafirmando o compromisso da Associação com transparência, participação e prestação de contas. O movimento também fortaleceu interlocuções institucionais, consolidando a defesa de que o corpo técnico da Agência , altamente qualificado e já atuante em funções de direção interina, seja considerado para posições de liderança.
SABATINA AQUÉM DAS EXPECTATIVAS
Durante a 19ª Reunião Extraordinária da CMA, em 12 de agosto, os indicados foram sabatinados. A ASÁGUAS acompanhou de perto a sessão e buscou estabelecer interlocução com os futuros dirigentes. No entanto, a entidade registrou frustração com o formato do processo: apenas um senador fez perguntas efetivas aos candidatos, o que, segundo a Associação, limitou o debate técnico e reduziu a oportunidade de maior prestação de contas à sociedade. Mesmo sem a adoção da lista tríplice neste momento, a mobilização abriu portas, ampliou a visibilidade da pauta e trouxe maior transparência ao processo. Foram mais de 30 ofícios enviados a representantes de diferentes Poderes, além de inúmeras matérias na imprensa e diversas reuniões institucionais. Parte desse esforço integra o chamado “trabalho silencioso” da ASÁGUAS, que envolve articulações estratégica se construção de pontes para futuras agendas. Segundo a Associação, esses avanços já representam um patrimônio institucional, que seguirá produzindo efeitos no médio e longo prazo, fortalecendo a defesa de que o corpo técnico da ANA participe cada vez mais da governança da Agência. Outra bandeira defendida pela ASÁGUAS é o fim das vacâncias prolongadas nos cargos da diretoria. Atualmente, um dos postos está em aberto há mais de 800 dias, o que fragiliza a governança, sobrecarrega diretores interinos e reduz a previsibilidade regulatória. Além disso, segue sem indicação presidencial a vaga de Ouvidor da ANA, posição central na interlocução com a sociedade.
Próximas pautas
A discussão sobre a composição da Diretoria Colegiada da ANA seguirá nos próximos meses. Em janeiro de 2026, está prevista a vacância do cargo de Diretor-Presidente da Agência, e outra cadeira será aberta no meio do ano, reabrindo o debate sobre perfis e critérios de liderança. Para a ASÁGUAS, a meta permanece clara: consolidar mecanismos objetivos, de mérito e participação social nas escolhas, ao mesmo tempo em que se busca celeridade e previsibilidade no preenchimento dos cargos.